Participantes e Resumos

Alice Santiago Faria – CHAM – Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Mobilidades e obras públicas: permanências entre os antigos territórios do Estado da Índia.

Resumo: Estabelecidos em 1869 em todas províncias ultramarinas portuguesas, os departamentos de obras públicas criaram o enquadramento institucional para um complexo sistema de mobilidades com naturezas e formas diversas: técnicos, trabalhadores, conhecimento, materiais, empresas, etc. Olhando para as múltiplas redes que se estabeleceram, neste contexto, entre os territórios que pertenciam ao antigo Estado da Índia, esta comunicação irá mostrar que apesar das alterações na sua configuração, houve laços e redes de trocas que se mantiveram. Ao mesmo tempo, irá olhar para a profunda mudança no papel da Ilha de Moçambique, que no período em questão, foi substituída como capital por Lourenço Marques.

 

Amélia Polónia – Universidade do Porto / CITCEM

Título: Connecting Indo-Portuguese worlds Women as go-betweens in the Portuguese State of India From the “Prazos do Zambeze” to informal ways of sociability.

Resumo: In the adventure of overseas settlement, women were not only the basis for the reproduction of a colonial society. They were also political and economic partners, essential to the build-up and maintenance of colonial empires. Their role as intermediaries between worlds was indeed essential, as key elements in marriage strategies or as political, economic and cultural go-betweens. This paper will look at the roles performed both by European and autochthone women in the Portuguese State of India, with particular emphasis on the “Prazos do Zambeze”. This analysis is based on sources such as chronicles, administrative correspondence and letters from missionaries, and aims at filling a gap in the social history of colonial empires.

 

Ana Paula Wagner – Departamento de História da Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil.

Título: Os antecedentes da elevação da vila de Moçambique à condição de cidade (1800).

Resumo: Na história do Império Português, a instalação de vilas e cidades constituiu um importante capítulo dos processos de expansão e de consolidação da presença lusa nos distintos domínios ultramarinos. Na Capitania de Moçambique e Rios de Sena, a vila de Moçambique foi elevada à cidade em setembro de 1818. Todavia, a documentação administrativa indica que no ano de 1800 ocorreu um esforço de algumas autoridades locais, instaladas na ilha, para que a referida vila alcançasse a condição de cidade. Os argumentos apresentados pelo governador-geral, pelos vereadores da câmara municipal e pelo administrador eclesiástico revelam alguns antecedentes do ocorrido em 1818.

 

André Teixeira – Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Patrícia Carvalho – CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: O Estado da Índia a bordo através da arqueologia: diversidade étnica e social na fragata Santo António de Taná (1697).

Resumo: Em 1697, a fragata Santo António de Taná partiu para a costa oriental africana numa pequena frota liderada pelo general Luís de Melo Sampaio, em socorro da fortaleza de Mombaça, sitiada pelos árabes omanitas. O comandante seguia igualmente com o provimento do rendoso cargo de capitão-geral dos rios de Sofala, levando a bordo os haveres e o séquito com o qual pensava permanecer naquela região. A embarcação fora construída nos estaleiros de Baçaim, região onde o capitão-geral era foreiro e que se destacava em todo o Estado da Índia neste domínio da construção naval, levando naquela derradeira viagem um importante contingente de marinheiros indianos. A tentativa de socorro a Mombaça acabou por ter um desfecho trágico, não apenas para aquela posição portuguesa, que acabou por capitular, como também para a embarcação, naufragada naquele mesmo porto. A actuação do comandante da frota não deixou de merecer reparos, já que este optara por interromper o socorro à praça para rumar a Moçambique, onde terá praticado comércio. Os destroços da Santo António de Taná permaneceram praticamente intocados até a década de 70 do século XX, quando uma equipa do Institute of Nautical Archaeology (INA) liderada por Robin Piercy ali realizou escavações arqueológicas. Nos destroços foram identificados e recuperados inúmeros artefactos referentes a várias actividades praticadas a bordo, além de uma parte significativa do casco do navio. O estudo sistemático deste material vem sendo realizado nos últimos anos com a participação do CHAM. Dado o excelente estado de conservação do contexto arqueológico, tem sido possível lançar reflexões sobre numerosos aspectos da vida do Estado da Índia nos finais do século XVII a partir deste verdadeiro repositório flutuante… As complementaridades políticas e económicas entre a península hindustânica e a costa oriental africana, o posicionamento dos servidores régios nestas paragens e, sobretudo, a diversidade social e étnica que compunha este empreendimento, sublinhando uma vez mais o contributo decisivo dos elementos afro-asiáticos para a manutenção do Estado da Índia.

 

Arlindo Caldeira – CHAM – Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: O patriarca D. Afonso Mendes e o fim do sonho etíope

Resumo: Os projectos oficiais ibéricos para a Etiópia cessam quase por completo a partir de 1630, devido à conjuntura internacional, à evolução interna da Etiópia e dos reinos peninsulares e às próprias mudanças na política externa da Cúria Romana. D. Afonso Mendes, último patriarca católico da Etiópia, donde foi expulso em 1634, fixou-se, em seguida, em Goa, alimentando, quixotescamente, a esperança de retomar a obra de missionação interrompida. A correspondência, alguma ainda inédita, que, até 1655, trocou com Madrid, Lisboa e Roma mostra o novo contexto político-religioso com que o patriarca jesuíta se confrontava e que tinha dificuldade em aceitar.

 

Artur Teodoro de Matos – CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Ganhos, alimentos e mezinhas dos tripulantes da carreira da índia, em meados de seiscentos

Resumo: 

 

Aurélio Rocha – Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane.

Título: A mesquita do Gulamo, uma referência na afirmação do islão moçambicano.

Resumo: O Islão, ou a religião islâmica, instalado há vários séculos na África Oriental, foi capaz de se adaptar em Moçambique às culturas locais, reconhecendo as suas especificidades, o que facilitou a sua difusão. Entre os factores que facilitaram essa difusão, são de realçar o carácter colectivista religioso da população moçambicana e a maleabilidade da estrutura em que o Islão assenta, não dogmática, maleável e apenas intransigente em questões essenciais do Islão. Nesta difusão, teve papel crucial a Mesquita de Gulamo, fundada em finais do século XIX, precisamente o início da maior expansão do Islão para o interior de Moçambique. Neste trabalho pretende-se dar a conhecer as condições de surgimento deste templo islâmico e como se tornou numa referência na afirmação da religião islâmica entre os Moçambicanos e num dos principais centros de conservação e afirmação da cultura islâmica em Moçambique.

 

Carla Alferes Pinto – CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Cultura material e memória na Ilha de Moçambique. Madalena de Cagigal e Silva e o Museu de Arte Sacra (1966)

Resumo: No dia 7 de Julho de 1966 Madalena de Cagigal e Silva (1920-1984), então conservadora no Museu de Arte Popular e museóloga com carreira longa, partiu em direcção à Ilha de Moçambique, a pedido da Fundação Calouste Gulbenkian para selecionar as peças e montar a exposição permanente do Museu de Arte Sacra. Este episódio, que estabelece o primeiro momento de reflexão sobre as características do património móvel de origem cristã na Ilha, foi, entretanto, esquecido no tempo e mantém-se como uma memória distante sobre a qual, na realidade, pouco se sabe. Inserido num programa de alcance cultural mais vasto patrocinado pela Fundação, o Museu acabou por congregar as vontades patrimonialistas do Portugal colonial, já depois de iniciadas as primeiras operações de guerrilha contra o estado português em Moçambique. Nesta comunicação analisarei a documentação existente no Arquivo da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian sobre o processo de criação do Museu, bem como a personalidade e biografia profissional de Madalena de Cagigal e Silva, autora da única obra de síntese sobre A arte indo-portuguesa (Excelsior, 1966), e chamada a colaborar nos trabalhos precisamente por a maior parte das peças elencadas terem sido consideradas de “arte indo-portuguesa e existir no país um especialista nesse sector”. Por fim, recorde-se que esta autora foi, a par de Lotika Varadarajan (1934-2017), pioneira na apresentação de comunicações sobre arte nos encontros do Seminário Internacional de História Indo-Portuguesa.

 

Celsa Pinto – Independent Scholar, Goa, Índia.

Título: Exploring the dynamics of the late eighteenth century Moçambique-Índia commercial circuit: strategies for survival and revival.

Resumo: The once flourishing traditional channel between Portuguese India and East Africa languished in the doldrums in the late 18th century. The basic cause of this decadence lay in the depressing situation in Portuguese East Africa itself, arising from its autonomy in 1752, liberalization of trade and the Bania monopoly and a myriad of other reasons that this paper plans to touch upon. How then did the main stakeholders – authorities and traders – strategize for survival and revival? Were there elements of conflict and cooperation between the African, Indian and European traders? What about clashes and collaborations between Estado de Moçambique and Estado da India? What were the commercial plans and policies initiated by the authorities at Lisbon, Goa and Moçambique then? Who benefited from them and to what extent? These are among the issues that this paper intends to explore with the help of archival documentation available at Lisbon and Goa.

 

Charles J. Borges – Associate Professor in History, Department of History, Loyola University Maryland, USA.

Título: Jesuit economic contacts between Goa and East Africa: bridging two continents to fund the catholic missions.

Resumo: Since 1542 the members of the Society of Jesus,  the Jesuits,  began to establish themselves slowly but surely in Goa and other areas of India till 1759.  Their principal activity was the establishment of the Catholic faith for which purpose large groups of priests and brothers came annually to India.  This resulted in the incurring of large expenses  and hence the need to gather economic resources in various forms in their places of operation. These forms were the purchase of lands from Hindus, the occasional take over of  their properties, the floating of loans  and the offering of  expert administrative assistance to the Portuguese government in return for economic gains. Jesuits contacts from Goa were  established from the 16th century in East Africa in the footsteps of  Portuguese presence in the area. As in India the goal was to spread the Catholic faith but this brought the same economic involvement as we see in Goa and nearby parts of India. In East Africa the commodities were ivory and gold and were a good barter for goods exchanged from Goa. I intend in my paper based on archival records from the Goa Archives and published material to show how clear and successful these Goa-East Africa economic links were for the ongoing success of the Goa Jesuit mission.  Superiors of the Jesuits in Rome and elsewhere were well informed about these transactions and allowed these to continue.  Many local people  in both continents were helped in the process,  a point that  brings to the fore,  Jesuit acumen in using various resources to better their missions wherever they operated.

 

Ernestina Carreira – Directora do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros, Universidade de Aix-Marseille, Laboratório IMAF/CNRS (Institut des Mondes Africains).

Título: Negócios de família e redes de parentesco. Os armadores de Moçambique e seus sócios da Índia. Anos 1770-1822

Resumo: Na Europa da Época Moderna, o comércio de longa distância estruturou-se a partir dos séculos XVII e XVIII sob forma de redes de correspondentes e parceiros unidos maioritariamente por laços de parentesco e/ou por comunidades religiosas e étnicas. O Índico iria seguir a mesma evolução após as abolições progressivas dos exclusivos das coroas e da grandes companhias de comércio. Apareceram então, a partir dos anos 1770, as Agency Houses,  sociedades privadas de negócio marítimo com actividades múltiplas (comércio, seguros, agentes locais de companhias europeias, negócios políticos…). Quase todas foram fundadas nessa época por uma jovem geração de negociantes (hindus, parsis, cristãos, europeus, descendentes…) educados segundo os preceptos das novas práticas mercantes ocidentais (contabilidade dupla, prática das línguas estrangeiras, boa cultura geral, construção de redes de informadores …) e com uma sólida experiência de terreno devida a uma constante mobilidade intercontinental (aprendizagem, viagens como sobrecargas..). Os arquivos indianos conservam ainda hoje várias correspondências comerciais privadas que nos permitem esclarecer a trajectória profissional e a ascensão social de armadores instalados na ilha de Moçambique ou que actuaram durante um certo período em Moçambique antes de regressarem à Índia ou à Europa, deixando seus negócios africanos a cargo de um familiar ou um sócio de confiança. Esta comunicação propõe apresentar um estudo de caso cuja problemática é identificação e análise das características de funcionamento de uma rede de negociantes associados no abastecimento da Índia em escravos africanos, entre as quais destacaremos as mais abastadas famílias da época: os Monteiro, Rodrigues, Kamat (brâmanes de Goa), os Gomes Loureiro, Ribeiro Neves, Moraes Sarmento… (metropolitanos actuando entre Índia e África), os Lima e Souza (descendente oriundos da antiga Província do Norte), sem esquecer personalidades como Nassewanjee Monackjee, négociante Parsi de Bombaim cuja família dirigiu a feitoria portuguesa de Surate,  e suas trocas com a África Oriental Portuguesa, durante várias gerações. A actividade comercial da Ilha de Moçambique no final do século XVIII evidencia a concretização de política de complementaridade comercial dos territórios ultramarinos da coroa projectada por Pombal. Mas a proveito dos interesses das elites mercantes da Índia britânica.

 

Eugénia Rodrigues – Centro de História da Universidade de Lisboa.

Título: “Lhe dei a sua alforria e liberdade que por esta torno a repetir”: escravatura e manumissão na sociedade colonial de Moçambique

Resumo: Antes da abolição da escravatura no século XIX, os dispositivos de emancipação dos escravos reconhecidos pela lei portuguesa consistiam em cartas de alforria, testamentos e baptismos. Contudo, em Moçambique, a manumissão era rara e frequentemente condicional ao cumprimento de certas condições, como continuar a servir o senhor até à sua morte. Essa liberdade, nomeadamente dos manumissos que se mantinham ao serviço dos seus senhores, podia, ainda, ser disputada após a morte destes pelos herdeiros e outros interessados. Baseando-se nos instrumentos de manumissão disponíveis, esta comunicação explora as práticas de acesso à liberdade na sociedade colonial de Moçambique.

 

Fatima Gracias –Independent Scholar, Goa, Índia

Título: Goans on the move to Moçambique: doctors, administrators, priests, soldiers and degredados

Resumo: Goans have been on the move from their homeland for centuries  and this movement continues till date. They move  for opportunities across the seas. Goans went to Moçambique from early centuries of Portuguese colonial in Goa. They started at a time  when the Portuguese whites were reluctant  to go on account of hot damp climate  and poor health conditions. Moçambique was called terra de degredados and Lourenço Marques –cemiterio dos Europeus. Yellow fever, cholera, dysentery and malaria prevailed. There were also epidemics of plague. The Portuguese were in need of people to colonize Moçambique and turned towards their possessions in the East for human resources.  In early centuries of  colonial rule, there were requests from the authorities of Moçambique to the Viceroy in Goa, asking for canarins. In the last century of colonial rule in Goa, institutions such as Santa  Casa de Misericordia de Goa even  provided  incentive to its members to settle in Moçambique and Angola. Goans travelled  for trade ( mainly for gold, ivory and slaves), to offer medical and humanitarian assistance, to help the rulers run the administration, provide justice, maintain  sovereignty  and to propagate  the Christian faith. In Moçambique, Goans  were involved in almost all branches of the society. They did pioneering work and some occupied important and powerful positions in the Government. In the course of time, the Portuguese  began to depend on them to maintain their sovereignty and  to penetrate in the interior. Some ruled as chieftains, worked as intermediaries or became part of the prazeiros group. Yet others, took up teaching positions, jobs with the Government  and private sector.  They worked  as cooks, tailors, carpenters, compounders, fishermen, farm, mine workers and  some spent  time in degredo. Most Goans moved for a period of time, others stayed there permanently.Those who went to Moçambique, belonged to all levels of the Goan society. Learned and not learned, men, women and Christians and non Christians. There was significant  flow of educated Christians to Moçambique, in the last century of colonial rule, on account of growth of education and consequent need for job opportunities . These Goans became a  part of  the educated elite of that colony. They spread to various parts of Mocambique. They took wives from their homeland ,  came back to marry,  forged alliances with Portuguese women, donas de prazos, mulatas and other natives. When their tenure  in Moçambique was over, some stayed back, others returned home to Goa, yet others, moved to Portugal or elsewhere. The paper seeks to highlight the wide role played by Goan doctors, administrators, priests, soldiers and exiles  in the overall  well being and prosperity  of Moçambique during colonial times.

 

Franz Halbartschlager– Associated Professor of the University of Vienna (Austria) and member of the VSIG (Scientific Association for History on Intercultural Studies)

Título: Four years in Mozambique. History of the Austrian base in the Delagoa Bay (1777 – 1781)

Resumo: The Holy Roman Empire (incl. Austria) has hardly any history as a colonial power in the early modern period. All the more astonishing is this short episode in the late 18th century: For four years, the Austrian East India Company maintained a trading base in Delagoa Bay in Mozambique. In March 1777 the ship Joseph and Theresia (named after Emperor Joseph II. and Maria Theresa) of the Austrian East India Company landed in Delagoa Bay. From a local chief the port of the area – previously abandoned by the Dutch East India Company – was sold. A small fortification with a ten-man crew was erected and quickly declared an Austrian colony. The Austrian East India Company existed between 1775 and 1785 and was founded on the initiative of William Bolts, a Dutchman by birth. During this period, the Company established branches in India (Surat), on the Nicobar Islands and in Delagoa Bay and started initial trade projects (e. g. import of cochineal beetles from Brazil). The already established colonial powers reacted reluctantly. With regard to Mozambique, the Portuguese forced the Austrians to withdraw as early as April 1781. The paper will describe (from an Austrian perspective) the context, will analyse relations with local communities and finally will refer to the conflicts with the Portuguese authorities of the Estado da Índia and in Mozambique at that time.

 

João Paulo Oliveira e Costa – Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Universidade NOVA de Lisboa, CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Moçambique: de extremo ocidente da Ásia a centro do mundo. Um episódio da primeira globalização

Resumo:

 

João Teles e Cunha – Instituto de Estudos Orientais, Universidade Católica Portuguesa, CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: O Monomotapa e os portugueses na luta pelo sertão moçambicano (ca. 1596-1631)

Resumo: Procuramos explicar as dinâmicas políticas e económicas no sertão moçambicano entre ca. 1596 e 1631 envolvendo o Monomotapa, em crise de legitimidade, e os portugueses, tanto a Coroa como particulares, usando fontes portuguesas e dados arqueológicos publicados nas últimas décadas. A época em apreço representa o período final da primeira interacção dos Portugueses com o Monomotapa, sendo contemporânea de acontecimentos similares noutros pontos de África e do Estado da Índia, nomeadamente a tentativa de cristianizar a elite africana, com resultados díspares que levam à desagregação dos estados africanos. Assistiu-se ainda ao desenvolvimento de um grupo de privados portugueses que adquire terra e recruta “soldados”, procurando influir no sertão moçambicano e nos seus canais económicos com o litoral, nomeadamente com a ilha de Moçambique.

 

José Alberto R. Silva Tavim – Centro de História, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Título: A inquisição e os seus réus moçambicanos: um perfil possível dos sentenciados.

Resumo: As notícias sobre a actuação da Inquisição de Goa em Moçambique são raras, até devido ao conhecido desaparecimiento da maior parte do espólio pertencente àquele tribunal religioso. Um dos raros documentos sobreviventes – o famoso Reportório do Inquisidor João Delgado Figueira, de 1623 – permite-nos traçar um pequeno quadro dos penitenciados e das culpas que lhes são imputadas, desde 1564 até à data final da redacção do manuscrito. Os reús são por vezes designados cafres, vêm da ilha de Moçambique, e de Sofala,  e são acusados de adivinhos, feitiçeiros ou  mouros. Na verdade, é um quadro que se mantém até ao século XVIII, como se verifica pelas informações da Inquisição de Lisboa e outras notícias.

 

Laurinda Abreu – Universidade de Évora/CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades.

Título: A presença de cirurgiões, boticários e médicos portugueses em Moçambique e na Índia (séculos XVI-XVIII)

Resumo: A partir de uma base de dados com 24 000 registos de cirurgiões, boticários e médicos, recolhidos nos arquivos da administração central, temos vindo a analisar o universo dos “profissionais” de saúde que actuaram em Portugal e no seu império, entre 1495 e 1826, o quadro normativo que o regulava e o modo como se adaptou às circunstâncias e interesses locais. Tendo já estudado o Brasil e o Norte de África, nesta comunicação o olhar deslocar-se-á para Moçambique e para a Índia procurando perceber como ali se configurou este sector e se organizou o diálogo com a metrópole. A Carreira da Índia, promotora de mobilidade profissional entre os cirurgiões, merecerá especial atenção.

 

Luís Filipe F. R. Thomaz – Centro de Estudos de História Religiosa /Universidade Católica Portuguesa e CHAM – Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: “O comércio do marfim entre a África Oriental e a Índia”

Resumo: O marfim sempre foi um produto muito apreciado na Índia, onde era utilizado em muitos trabalhos de luxo. Embora na Índia e países vizinhos existam elefantes, pertencem à espécie Elephas maximus, L., cujas presas são nitidamente menores que as dos elefantes africanos, que pertencem a um género zoológico diferente e se repartem entre duas espécies: o elefante da savana (Loxodonta africana, Blum.) e o elefante da floresta (Loxodonta cyclotis, Mat.), que possuem presas muito maiores. A importação de marfim africano pela Índia deve datar dos primeiros séculos da nossa era, como parece deduzir-se do Périplo do Mar Eritreu, de autor anónimo, redigido entre 95 e 130 da nossa era. Os portugueses comerciaram em marfim africano pelo menos desde 1470. Embora nos tenham chegado poucos róis completos das cargas trazidas da Índia no século XVI e menos ainda das cargas para lá levadas, tudo leva a crer que nos primeiros anos não tenha sido levado para a India marfim da África ocidental, carregado em Lisboa, onde o havia em depósito. Há notícia de fazer parte da carga das naus da Índia em 1521 e 1533, mas há a notar que apenas conhecemos relações das cargas dos anos de 1504, 1505, 1506, 1521 e 1533. Quanto à importação de marfim da África Oriental, está atestada por Cosme Indicopleustes no século VI, por al-Maç’ûdî no século IX, por Marco Polo em finais do século XIII e por Garcia de Orta no XVI. Na documentação portuguesa encontram-se algumas cifras exatas sobre a importação de marfim de Sofala, e mais algumas nas cartas de quitação dos feitores da India, que no entanto não mencionam a sua origem. a escassez de dados provém certamente do facto de esse comércio ter sido, tal como o do ouro do Zimbabué, desde muito cedo (segundo quartel do século XVI) açambarcado por mercadores privados, que não deixaram arquivos, em detrimento da Coroa. Uma busca mas sistemática nos arquivos de Goa e de Lisboa poderá quiçá fornecer-nos novos dados, bem assim como a análise de objetos de arte indo-portuguesa existentes nos museus e colèções particulares, que poderá revelar a origem geográfica do material utilizado em tais objetos.

 

Manuel Lobato – Centro de História da Universidade de Lisboa

Título: A actividade da Câmara da Ilha de Moçambique através dos seus ‘livros de actas’ (1799-1863)

Resumo: Através de sumários (elaborados em meados do século passado) dos ‘anais’ ou ‘Livros de Actas’ de sessões da Câmara Municipal da Ilha de Moçambique realizadas entre 1799 e 1863, outrora depositados no arquivo daquela edilidade, e de documentação complementar do Arquivo Histórico de Moçambique copiada na mesma época, pretende-se revisitar o urbanismo e a vida político-administrativa e socioeconómica daquela capital no período final do antigo regime colonial e durante as primeiras décadas do liberalismo. Especial destaque será concedido aos aspectos do património edificado e fundiário na Vila e nas Terras Firmes fronteiras, igualmente abrangidas pela administração camarária da Ilha.

 

Maria Augusta Lima Cruz – CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Na rota da carreira da Índia: Camões e Couto na Ilha de Moçambique

Resumo: Na torna viagem da Carreira da Índia, Camões e Couto encontram-se na Ilha de Moçambique em 1569, quando separadamente tentam rumar para o Reino. Couto zarpara de Cochim em Fevereiro, Camões já se encontrava na ilha desde finais de 1967 / inícios de 1568. Acabariam por viajar na mesma armada até Portugal, ambos portadores de textos tão importantes como Os Lusíadas e o Primeiro Soldado Prático. Do convívio de cinco a seis meses proporcionado por esta escala dá notícia Diogo do Couto, revelando a importância que teve, no quadro da produção literária do Poeta, a sua estada na ilha de Moçambique. É essa memória, praticamente esquecida, que procuraremos avivar.

 

Milton Lampião Borges Novela – Centro de Estudos e Documentação da Ilha de Moçambique (CEDIM) da Universidade Lúrio.

Título: Cultura material e criação de centro de interpretação polinucleado na ilha de Moçambique

Resumo: As pesquisas Arqueológicas referem que no passado, a Ilha de Moçambique estava integrada na rota do Comércio Internacional, e era um dos Entrepostos Comerciais de grande relevância a nível da costa Oriental de África. Por outro lado, as fontes históricas enaltecem a importância da Ilha de Moçambique como um dos principais pontos de encontro de civilizações, oriundos de vários quadrantes do Mundo tais como Portuguesa, Arábica, Inglesa, Indiana, Holandesa, Swahilis e Bantu. Entretanto, a relação social ou da socialização entre as referidas civilizações era por vezes caracterizada pela aculturação ou assimilação e difusão de culturas. Nessa perspectiva, a Ilha de Moçambique era vista como laboratório de culturas, razões que levou a UNESCO há atribuir-lhe o estatuto do Património Mundial em 1991. A diversidade cultural dos povos que passaram ou residiram na Ilha de Moçambique, é também expressa na cultura material, é o exemplo da heterogeneidade no edificado, etc. Todavia, até nos dias de hoje a Ilha de Moçambique é uma referência nacional em termos de cultural material e imaterial. A Universidade Eduardo Mondlane, através do Departamento de Arqueologia e Antropologia identificou a existência de naufrágios submersos a arredores da Ilha de Moçambique, onde alguns deles continham objectos de cerâmica, moedas douradas, missangas e porcelanas vidradas típicas das dinastias Tungi e Sassânida do Golfo Pérsico. Entretanto essa cultura material pode se considerar de herança cultural, e faz parte do Património Cultural Nacional, da História de Moçambique e do Oceano Indico. Porém, o desafio que se coloca hoje em relação a cultura material e imaterial da Ilha de Moçambique é sobre tudo a questão de preservação e sustentabilidade da mesma, tendo em conta as tendências actuais, associados a modernidade e globalização. Essas tendências, tem perigado a cultura material e imaterial de muitos povos e a Ilha de Moçambique não tem sido uma excepção. Nessa ordem de ideia, proponho a criação de centros de interpretação polinucleado na Ilha de Moçambique como forma de preservar/salvaguardar a cultura material, assim como garantir a sua sustentabilidade. Entretanto, esses centros de interpretação, seriam especializados em temáticas específicas. A localização de cada centro de interpretação na Ilha insular e continental, seria com base na potencialidade cultural de cada local. Por exemplo, no Bairro dos pescadores, tem se assistindo uma grande potencialidade na actividade pesqueira. Então poder-se-ia montar um centro de interpretação ligada a actividade pesqueira. Por outro lado, há muitos objectos arqueológicos encontrados a margem da praia e outros submersos que constituem evidência clara que a Ilha de Moçambique fazia parte da rota do comércio internacional. Uma das formas de preservar essa história é através de criação de centro de interpretação sobre a Arqueologia. Um outro fenómeno que aconteceu no passado não menos importante é a escravatura, as fontes históricas, referem que a Ilha de Moçambique estava integrada na rota de escravos. Alias, saiam da Ilha de Moçambique escravos para algumas Ilhas do Indico, tais como, Mayote, Comores, Maurícias, Reunião, África do Sul e Américas. Entretanto a escravatura é uma potencialidade que se pode aproveitar numa perspectiva positiva e criar-se um centro de interpretação. Para além das potencialidades da cultura material que mencionei, existem várias outras potencialidades que podem ser exploradas como edifícios históricos ou emblemáticos pela sua expressividade artística pode originar na criação de centro de interpretação. A documentação antiga sobre a Ilha pode ser usada para um centro de interpretação específico, ligada a documentação antiga que por exemplo podia-se alojar no edifício do Conselho Municipal da Ilha de Moçambique. A cultura material da Ilha de Moçambique é um recurso que tem valor e significado, dai que é fundamental preserva-lo para as gerações presentes e futuras. Essa cultura material também deve ser vista como potencialidade geradora de dividendos, que possa melhorar a condição social e económica de várias famílias que ali residem, através da empregabilidade dos seus filhos como guia nos diversos centros de interpretação aqui mencionado. Portanto, as potencialidades culturais da Ilha de Moçambique, não se restringe a cultural material envolve também o imaterial, mas segundo a orientação do programa apenas foquei-me no material. Contudo, esta é a minha proposta de comunicação no seminário internacional da História Indo Portuguesa.

 

Moisés Timba – Direcção de Cultura da Universidade Eduardo Mondlane.

Título: O núcleo urbano da Ilha de Moçambique na costa oriental africana sob auspícios da ocupação militar portuguesa.

Resumo: O presente artigo tem como objectivo analisar o contexto histórico da ocupação militar da Ilha de Moçambique, entre os séculos XVI – XIX, aquando da expansão marítima portuguesa para as Índias e a transformação do espaço envolvente, à fortificação de São Sebastião, em núcleo urbanístico. O artigo tem como ponto de partida a concepção de que a ocupação da costa sul oriental da região, actualmente chamada de Moçambique, e sua urbanização, foi feita com a construção de fortificações militares na costa. Fortificações militares que foram erguidas dentro de um contexto da história da expansão europeia e da procura do caminho marítimo para as Índias. A escolha da Ilha de Moçambique deve-se ao facto desta ter sido a primeira cidade capital do então território chamado de Moçambique e nela terem sido erguidas fortificações no espaço envolvente que deram lugar a uma urbe, que foi a primeira cidade qualificada de capital de Moçambique pelos portugueses. A escolha da Fortaleza de São Sebastião para a análise do processo urbanístico no espaço envolvente deve-se ao facto desta ser considerada uma das maiores fortalezas erguidas pelos portugueses na costa oriental africana, e as transformações urbanos no espaço envolvente, culminaram com a criação da cidade. As fortificações militares costa sul oriental são enquadradas numa perspectiva defensiva e comercial, e que posteriormente nos espaços envolventes, originaram à urbanização. Com vista a compreender o fenómeno que explica o processo de urbanização com base nas fortificações militares, numa perspectiva da ocupação e colonização portuguesa em Moçambique, motivou-me para o presente estudo. Na minha reflexão e com base na pesquisa bibliográfica procuro responder à seguinte pergunta de partida: Como explicar a ocupação, fortificação e transformação da Ilha de Moçambique em centro urbano, no espaço envolvente à Fortificação de São Sebastião, dentro da busca dos caminhos marítimos para as Índias, a partir do século XVI? Numa perspectiva de história de ocupação militar portuguesa, analiso o período da expansão europeia, para compreender o cerne da ocupação da costa africana, as motivações comerciais com a costa, a resistência ou rivalidades com os árabes e as transformações urbanísticas da Ilha em núcleo urbano ancorado à fortaleza de São Sebastião. O seu papel como centro de trânsito das embarcações, a sua função defensiva e o papel do tráfico de escravos na região, como elementos fundamentais para a necessidade da sua fortificação e transformação como centro urbano, até sensivelmente finais do século XIX. O meu argumento é que a ocupação militar portuguesa na costa Oriental de Moçambique, movida por interesses comerciais e da expansão do império colonial português, é fundamental para compreensão da história da ocupação militar da Ilha de Moçambique no princípio do século XVI. A sua gênese tem os seus fundamentos ou alicerces nas fortificações militares erguidas pelos portugueses, que serviram-se da Ilha como, ponto de trânsito, centro de comércio transatlântico e tráfego de escravo, o que pesou para um conjunto de transformações urbanísticos da Ilha.

 

Mónica Esteves Reis – CHAM – Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Arte a bordo. Retábulos da Província do Norte e Goa na prelazia de Moçambique

Resumo: Em meados do século XVII Moçambique tornara-se num pilar económico do Estado da Índia. Da Índia chegavam navios com um fluxo de mercadorias diversificadas. A arte que provia as igrejas da prelazia de Moçambique veio a bordo desses navios e alguns dos mais magníficos exemplares de talha indo-portuguesa encontram-se nas igrejas de Angoche, Cabaceira Grande e Ilha de Moçambique. Apesar do atual número reduzido, a talha subsistente é magnífica e testemunho dos hábeis artesãos de Goa e da rica Província do Norte. Deste conjunto, em análise, destacam-se os equipamentos retabulares do antigo Colégio dos Jesuítas quer pela imaginária híbrida no púlpito como pela qualidade do retábulo da ousia.

 

Paulo Jorge de Sousa Pinto – CHAM- Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: Conquista, reforma e el dorado – a “empresa do senhorio do Monomotapa” no contexto dos impérios ibéricos no século XVI.

Resumo: A expedição que em 1569 seguiu à conquista do reino do Mutapa é geralmente tomada como um simples sinal do recrudescimento do belicismo no reinado de D. Sebastião. O seu significado é, contudo, mais abrangente, a vários níveis, nomeadamente: a) correspondeu a uma manobra política de uma das fações que então disputavam o poder na corte; b) do ponto de vista ideológico, obrigou a uma teorização inédita, embora incipiente, sobre os fundamentos da “guerra justa” e, por consequência, da expansão ultramarina; c) integrou-se num quadro global de realinhamento estratégico e de reforma do Estado da Índia e do império, procurando emular e adaptar às suas realidades alguns vetores e práticas do Nuevo Mundo castelhano.

 

Paulo Teodoro de Matos – CHAM – Centro de Humanidades/ Universidade NOVA de Lisboa e Universidade dos Açores.

Título: A África Oriental e a Índia Portuguesa em 1720: um retrato sócio-demográfico”.

Resumo: Nos alvores do século XVIII os territórios de administração portuguesa em Moçambique e Índia (Goa, Diu e Província do Norte) revelavam dinamismo económico, assumindo-se ao mesmo tempo como zonas de forte confluência étnica, religiosa e até civilizacional. Antes da emergência de um sistema regular de estatística da população, em 1776, apenas dispomos de informes geralmente esparsos, discontínuos e lacunares sobre a composição social. No caso da Índia, o estudo sistemático do censo ordenado pela Coroa portuguesa em 1720, pouco conhecido pelos historiadores, permite levar a cabo um estudo aprofundado das sociedades locais antes da perda da Província do Norte, em 1739, com destaque para os grupos religiosos, profissões, castas, relações laborais e população escrava. Para Moçambique, as autoridades prepararam no mesmo ano, extensas listas nominativas com os “portugueses”, “naturais de Goa” e clérigos, bastas vezes com caracterização étnica e informações sobre os agregados domésticos. Esta informação reveste-se de um grande significado devido ao desconhecimento sobre a demografia das sociedades dos prazos, com destaque para a composição social, migrações inter-culturais e estruturas familiares.

 

Pedrito Carlos Chiposse Cambrao – Centro de Estudos Culturais e Religiosos do Oceano Índico / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lúrio – Ilha de Moçambique

Maurício Regulo – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lúrio – Ilha de Moçambique

Título: Configurações religiosas, políticas e religiosas na costa moçambicana

Resumo: A literatura aponta que nos processos de ocupação da Costa Oriental Africana, inúmeras configurações políticas e territoriais foram instauradas ao longo desta costa e, de modo particular, na costa moçambicana. Como resultado destes processos, os povos atingidos por essas ocupações receberam novas identidades religiosas, culturais, políticas e até mesmo tribais. Este artigo, usando o método de abordagem descritiva, baseado em leitura bibliográfica bem como em entrevistas a algumas pessoas versadas em matérias histórico-culturais, descreve os factores que concorreram para estas configurações e, também, anota o impacto provocado pelos factores que contribuíram para a ocorrência destes fenómenos. Nestas linhas o artigo centra-se no tema de Identidades Religiosas, Territórios e Configurações Políticas na Costa Oriental Africana desde os períodos da sua ocupação até aos nossos dias. Ele traz, a priori, uma abordagem histórica africana e, de forma muito particular, a história moçambicana desde a migração bantu, árabe, swahili, chinesa, marave, portuguesa, indiana, o comércio escravocrata e a economia de concorrência, bem como a verificação do impacto provocado por este movimento e oferece um paralelismo com o actual cenário. A posterior, o artigo descreve a oportunidade que os processos ocupacionais criaram e as destruições que os mesmos geraram nos povos que existiam antes (autóctones).

 

Pius Malekandathil – Centre for Historical Studies, Jawaharlal Nehru University, New Delhi.

Título: “Portuguese and the Changing Meanings of Trade between Moçambique and Coastal Western India, 1500-1750”

Resumo: The entry of the Portuguese into the Indian trading world necessitated the incorporation of several resourceful geographies into their circulatory processes for the purpose of balancing their trade.  Moçambique was one of the principal suppliers of bullions, ivory and slaves to India in exchange for  a variety of wares including textiles and in the process of commodity-circulation, the Malabar-Gujarat-Moçambique axis turned out to be pivotal for the intricate  trading networks that the Portuguese initially developed to balance their trade in the Indian Ocean regions. Eventually the Portuguese ports of Goa, Chaul, Bassein, Diu and Daman were the main doors through which the Indian textiles and other goods were carried to Moçambique and other ports of east Africa to procure gold, slaves and ivory. Annual fleets loaded with Indian textiles used to go from these places to procure African slaves and gold from the Zambesi valley and these circulatory processes caused several textile –manufacturing villages to come up in the neighbourhood of  Portuguese enclaves of  Chaul, Diu and Daman, stimulating and intensifying secondary sector production in these pockets. In the seventeenth century, particularly when the recurring attacks from the Dutch and the English obstructed the navigational lines of the Portuguese traders from 1640s onwards, we find the Baniyas of Diu, the Saraswat Brahmins of Goa and the Muslim merchants of Daman emerging as the prominent mercantile groups that began to dominate over the trade between Moçambique  and coastal western India. The long rapport that the Baniyas had established with the Jesuits , enabled them  to conduct trade with Moçambique with Jesuit patronage. Even the commercial voyages to Moçambique that the Jesuit college of Madre de Deus of Cochin bagged in 1653 to overcome their financial difficulties were handled by the casado traders of Cochin and their Baniya collaborators.  The Baniyas of Diu who formed Companhia de Comercio dos Mazanes in 1686 with the permission of viceroy Conde de Alvor used to send two to three vessels annually to Mombasa and Melinde, carrying Indian textiles. While the Jesuit houses in Diu, Cochin and Moçambique acted as cultural  institutions that ensured acceptability for the Baniya trade in the Portuguese world, the Bania ability to network with the Omanis ( with the Baniyas emerging as the largest foreign mercantile group in Muscat in the mid-seventeenth century), enabled them to emerge as the largest bridging mercantile group in the Indian Ocean world facilitating and intensifying the trading frequency between  Moçambique and coastal western India. During the period between 1650 and 1710, when the Omani traders started attacking the major trading enclaves of the Portuguese like Mombasa (1660 and 1696-8), Diu (1668 and 1676), Bassein (1674), Mocambique (1669), Kung (1693), or the trade centres with considerable Luso-Indians like Barcelor and Mangalore (1695), it was the Baniya traders of Diu who carried the major segment of the trade between Moçambique and coastal Western India because of their acceptability to and the bridging capability between both the Portuguese and the Omanis. The ability of the Baniyas to pump huge Indian capital into the markets of Moçambique, along with their acumen to supply the right type of textiles that Africa then needed by an intricate system of networking with the production centres in Gujarat and its vicinity, enabled them to dominate over Moçambique trade for a considerable period of time. The paper looks into the way how the trade between Moçambique and coastal western trading enclaves of the Portuguese in India was carried out over time and tries to highlight the processes by which the various social groups and mercantile segments attached to this stream of trade made efforts to adapt themselves to the changing political and economic milieu and got themselves commercially re-defined over time. Besides analyzing the changing character of trade , efforts are also made to see the deeper dynamics of the society within which the circulatory processes actually operated.

 

Remy A Dias – Govt. College of Arts, science & Commerce, Quepem-Goa and Deputy Director of Higher Education, Govt. of Goa.

Título: Agrarian Goa and Mozambique–trade, commerce and consumption, 1850-1950

Resumo: Even when Goa was the focus of Portuguese presence and activities in Indian waters in sixteenth and seventeenth centuries with concerted attempts to urbanise the landscape the region remained and retained its agrarian nature up to the twentieth century. However, from the last quarter of nineteenth century Goans migrated in hordes to British India for gainful employment and wherefrom some extended the route to Africa. Even earlier many emigrated to Portuguese Africa for commercial ventures and to take up positions at lower end of the bureaucratic/ecclesiastic set-up with few rising to high position. Emigrants remitted substantial sums to their families which resulted in subtle changes regarding the local consumption patterns and impacted trade. The paper attempts to demonstrate how the agrarian surplus of Goa was transferred for carrying trade activities with Mozambique and other Portuguese controlled regions of Africa. Goa based import-export activities were largely as per the requirements and tastes of Goans (local or emigrant) and the region was dependent on the trade networks developed by the Portuguese for substantial imports from Mozambique and other regions to support the evolving consumption patterns. Most imports in Goa–gold, silver, ivory–from Mozambique indicate attempts to lead and display a lifestyle in line with acquisition of wealth and status following migration of family members. Similarly, exports to Mozambique points to the fact that Goan diaspora craved for Goa products of daily consumption as espirito de cajú/palmeira, peixe  sêco, pimento lónga, jagra de palmeira, oleos de copra, tamarindo, frutas seco, etc. Likewise, coconut and areca nut formed the major items of export of Goa. Paper attempts study of trade dynamics of agrarian Goa as it affected consumption patterns of locals in Goa and the Goan diaspora in Mozambique through an analysis of archival and published sources.

 

Sidh Losa Mendiratta – Centro de Estudos Sociais – Universidade de Coimbra (CES – UC)

Título: Uma planta inédita de finais do século XVII da fortificação de São Sebastião, Ilha de Moçambique

Resumo: A localização de uma planta inédita da fortificação de São Sebastião da Ilha de Moçambique no Arquivo Histórico de Goa vem aclarar as intervenções operadas naquela estrutura em finais do séc. XVII. Conjuntamente com a missiva que a acompanhava, e outras relativas ao processo Seiscentista de reforma da fortificação, o documento permite-nos acompanhar a evolução das abordagens e preocupações a nível da engenharia militar para dar resposta às várias ameaças no espaço do Índico, sobretudo dos Holandeses e do sultanato Omanita. Permite-nos ainda compreender melhor as plantas Setecentistas da mesma fortificação, sendo um valioso ponto de partida para reavaliarmos a sua história arquitectónica.

 

Timothy D. Walker – History Department & Center for Portuguese Studies & Culture, University of Massachusetts Dartmouth.

Título: “Legitimate conscription or illegal enslavement? Compulsory service and portuguese use of african troops from Mozambique as a countervailing force in colonial Goa during the crisis in British India, 1857-1860”

Resumo: This paper examines the role of African conscripts from Mozambique in the Portuguese response to the Indian uprising of 1857. In Goa, the colonial government’s desired reaction to the “Mutiny” was hindered by existing restrictions to the slave trade in the Indian Ocean.  Regulations mandated from London and Lisbon in 1842 precluded the transport of forced laborers, effectively including military conscripts (subject to interpretation of the Anglo-Portuguese accord), from East Africa to India. Abolition of the Indian Ocean slave trade was highly unpopular among Indo-Portuguese elites and merchants. Historically, the government of the Estado da Índia had often used enslaved or conscript African soldiers in times of military need. Within this context, the present work analyzes the attempts of the Portuguese governor in India to bring conscripted African soldiers from Mozambique to Goa in 1857-1859.

 

Iolanda Teixeira Duarte – Universidade Eduardo Mondlane.

Ricardo Teixeira Duarte – Universidade Eduardo Mondlane.

 

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